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Santos, 19 de janeiro de 2004
Resposta do quiz da semana passada: ALEMANHA
Quiz desta semana: Ele protagonizou "BEN HUR", "EL
CID", "TERREMOTO", "AEROPORTO 75" e um dos filmes que mais me impressionaram quando eu o assisti aos 13 anos, em 1974: "NO
MUNDO DE 2020", no qual a terra se encontra superpovoada, não havendo comida para todos. De que ator estamos falando?
a) Edward G. Robinson
b) Raul Julia
c) Jack Nicholson
d) Jon Voight
e) Charlton Heston
Eis as maiores bilheterias do cinema norte-americano nesta semana:
| Esta semana |
Semana passada |
Filme |
Distribuidor |
Arrecadação do último final de semana |
% de mudança em relação à semana passada |
Número de cinemas em que o filme está em cartaz nesta semana |
Mudança no número de cinemas |
Média de arrecadação por cinema |
Dias em cartaz |
Arrecadação total |
| 1 |
1 |
O senhor dos anéis: O retorno do rei |
New Line |
$14,209,098 |
-50 |
3,532 |
-171 |
$4,023 |
26 |
$312,320,936 |
| 2 |
12 |
Big Fish |
Sony |
$13,811,191 |
+443 |
2,406 |
+2,281 |
$5,740 |
33 |
$23,386,775 |
| 3 |
2 |
Doze é demais |
20th Century Fox |
$11,751,349 |
-46 |
3,238 |
-69 |
$3,629 |
18 |
$101,147,842 |
| 4 |
4 |
Cold Mountain |
Miramax |
$7,881,729 |
-32 |
2,302 |
+86 |
$3,424 |
18 |
$55,340,445 |
| 5 |
3 |
Alguém tem que ceder |
Sony |
$7,727,359 |
-34 |
2,876 |
+68 |
$2,687 |
31 |
$92,515,314 |
| 6 |
Novo |
My Baby's Daddy |
Miramax |
$7,548,819 |
-- |
1,447 |
-- |
$5,217 |
3 |
$7,548,819 |
| 7 |
Novo |
Chasing Liberty |
Warner Bros. |
$6,081,483 |
-- |
2,400 |
-- |
$2,534 |
3 |
$6,081,483 |
| 8 |
5 |
O pagamento |
Paramount |
$5,146,378 |
-48 |
2,762 |
0 |
$1,863 |
18 |
$46,443,104 |
| 9 |
8 |
O último Samurai |
Warner Bros. |
$4,550,419 |
-38 |
1,901 |
-500 |
$2,394 |
38 |
$97,181,327 |
| 10 |
7 |
Sorriso de Mona Lisa |
Sony |
$4,383,072 |
-47 |
2,500 |
-214 |
$1,753 |
24 |
$56,883,304 |
| TOTAL |
106,009,153 |
40,223 |
2,636 |
2,781,817,464 |
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"TIROS EM COLUMBINE", dirigido
por Michael Moore, pode ser encontrado na videolocadora de sua preferência. Este é o mais
aclamado documentário de 2002/2003, que finalmente chega 'as videolocadoras após uma relativa boa receptividade nos cinemas
brasileiros. Na Baixada Santista, os Cinemarks só programaram sessões na calada da noite. A música que abre e fecha o documentário
é "What a wonderful world", tocada pelos Ramones.
Em outras palavras, o non-sense tempera os relatos da posse e utilização obsessiva de armas por parte dos norte-americanos.
A tragédia ocorrida na cidade de Littleton, no Colorado, onde dois estudantes massacraram seus colegas e professores
da escola, em 1999, deu origem ao fillme. A pergunta para a qual Michael Moore deseja
a resposta é a seguinte: Por que tantos norte-americanos morrem vítimas de armas de fogo? Moore
cai na estrada, vai ao Canadá, um país conhecido por ser pacífico, para alguns enfadonho. E lá fica sabendo de estatísticas
alarmantes. Os canadenses possuem um número de armas de fogo superior ao dos norte-americanos (proporcionalemente, é claro).
A teoria inicial de Moore, que supunha que a utilização das armas se devia à facilidade
de adquirir as mesmas. Seriam os filmes violentos de Hollywood? Se os jovens de outros países assistem a cada novo lançamento
desses filmes e não saem matando pessoas a torto e direito, a resposta é obviamente negativa. Seria a história sangrenta dos
EUA que explicaria o atavismo americano pela utilização de armas? Não. A Alemanha, a Inglaterra, a Itália, o Japão têm uma
história mais sangrenta, e tragédias como as de Littleton não ocorrem. Matt Stone, um
dos criadores do desenho "South Park", argumenta que os EUA é um país de paranóicos e
que não prepara os seus jovens para as adversidades da vida e do mercado de trabalho. Para Marilyn
Manson, por quem tenho profundo asco, mas que argumenta de forma bastante racional que a mídia não aceita quem
é diferente da média. Charlton Heston, um dos membros honorários da associação nacional
do rifle, deixa transparecer durante sua entrevista que a "excessiva miscigenação do povo americano, que teve como fundadores
senhores velhos, sábios e brancos" poderia justificar os 11.000 assassinatos anuais por armas de fogo nos EUA. A imprensa
norte-americana tem divulgado que a cena da abertura de conta num banco, em que o próprio documentarista ganha um rifle teria
sido forjada. Seja como for, mesmo que seja para se auto-promover, Michael Moore põe o
dedo na ferida e expõe algumas contradições da sociedade ianque. Não percam!
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"SIMPLESMENTE MARTHA",
dirigido por Sandra Nettelbeck, pode ser encontrado na videolocadora de sua preferência.
Este filme é a prova incontestável que os alemães também sabem fazer comédia. E de muito bom gosto, em todos os sentidos.
Martha (Martina Gedeck) é a chef do restaurante Lido. Ela é perfeccionista com o
seu trabalho. Ela não admite erros. Por isso, ela não aceita críticas por parte dos fregueses da casa que se deleitam com
as suas iguarias. Chega a reagir de forma impulsiva quando algum freguês emite algum comentário negativo sobre os seus pratos.
A dona do restaurante, então, a obriga a fazer psicoterapia, na qual ela só fala sobre culinária. Sua vida afetiva é totalmente
secundária. A vida de Martha muda de forma radical quando a sua irmã falece num acidente de carro, obrigando-a a levar a sua
sobrinha para morar com ela. Um segundo episódio que alterou a sua vida foi a vinda de um chef italiano, Mario (Sergio Castellito) para trabalhar no Lido. No início a dupla se odeia. Como isso irá terminar, eu,
você e o mundo sabem: numa paixão avassaladora, regrada a pratos com uma aparência saborosa. Uma comédia tipo sessão da tarde,
como costumo dizer. Assista até o final, pois mesmo depois do início da apresentação dos créditos acontecerá uma cena hilária.
"Os brasileiros têm complexo de vira-lata.
Adoram latir por bobagem".
DANIEL PIZA (1970 - ......),
jornalista e escritor.
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